Esse é um outro texto da minha amiga Nê...
“Quando vou ao banheiro, sinto uma sensação profunda quando a merda bate na água e a água em minha bunda”.
Eca... aposto que muitos pensaram assim, escutei essa frase quando estava ainda no colégio, na hora muitos fizeram cara de nojo, de repulsa pelo uso de certas palavras, e outros deram risada, pelo conteúdo rimático e cômico da frase, eu era uma dessas pessoas.
Na hora foi aquele escarcéu, mas depois que o sinal tocou fomos todos para a sala de aula, certamente que uns quiseram esquecer essa frase, mas fiquei imaginando como uma pessoa teria a capacidade, criatividade e humor para fazer uma frase dessa, não cheguei a nenhuma alternativa boa de explicação.
Hoje, em pleno sábado, trabalhando, após alguns anos com essa frase no baú de recordações, cheguei a uma conclusão.
Parei para refletir e vi que essa frase tem um sentido além de sua rima, analisando as palavras à frase empregadas observamos que a palavra banheiro pode significar refúgio, merda = problemas, água = realidade e bunda = consciência.
Nossa, uma conclusão em tanto né?! Antes de explicar, leia a frase trocando as palavras, ela fica assim:
“Quando vou ao refúgio, sinto uma sensação profunda quando o problema bate (cai) na realidade e a realidade em minha consciência”.
Hum... agora posso apostar que os rostos olhariam confusos e arregalados em direção a pessoa que pronunciasse essa frase, talvez pelo fato de realmente significar algo.
Fiquei analisando e percebi que as pessoas vão ao banheiro para fazer suas necessidades é claro, mas muitas refletem em suas vidas, escolhas, oram, pensam, isso tudo depende do tempo que elas costumam ficar dentro dele, mas em geral é isso que o banheiro significa, um refúgio para sair do lugar da onde estava para pensar no que fazer ou no que se fez.
Normalmente usamos a palavra merda para expressar algo errado ou algo que não nos agrada, e problemas com certeza é algo que ninguém gosta de ter, então a palavra ali empregada faz muito sentido.
Água é algo que está dentro da nossa realidade, do nosso mundo, sem ela não vivemos, acho que posso colocar assim, sem ela o mundo se perde, as pessoas ficam desesperadas, e uma vida sem realidade é fictícia, é virtual, é tudo e nada ao mesmo tempo.
Consciência é uma palavra meio forte para ser colocada sob a palavra bunda né? Mas em minhas análises percebi que elas se equivalem, não pelo seu significado ou função, mas pelo modo a ser empregado. A consciência nos leva a pensar, mas normalmente pensamos melhor quando estamos sentados – bunda – relaxados, sem qualquer preocupação se há alguém nos observando.
Após esse jogo de palavras, significados e interpretações chego a conclusão da frase, e ela me traz a tona um dito popular que diz “Quando a água bate na bunda é que resolvemos fazer algo”. Essa frase após suas modificações me mostra que primeiro temos que nos refugiar do nosso mundo, para depois analisar os problemas que estão em nossa realidade, sem esquecer é claro de como nosso corpo, alma, coração e consciência vão reagir aos nossos pensamentos.
É... acho que após alguns anos de vivência, pude ver que precisamos refletir mais no que cada palavra realmente significa para nós e tentar resolver nossos problemas – merdas – antes que eles surgiam como um peso em nossa consciência dentro da nossa realidade.
Bjones a todos.
sábado, 9 de janeiro de 2010
domingo, 3 de janeiro de 2010
O expressar-se
A timidez fez com que o lápis,
que pousara outras vezes sobre esta folha de papel,
hesitasse
Agia conforme sua falta de palavras para se expressar
Não sabia como fazer tangível o que agora só lhe restava esperar
Enfim, o prazo de validade
A eternidade que podia vir de todos os momentos inusitados,
parecia-lhe exaustivo
Acreditava que assim tudo perderia o seu encanto...
Mas desapercebido,
deixou de revelar a si sua falta de imaginação,
sua limitação diante das palavras que se renovam eternamente
Limitado, tímido, mas ousado
Havia de externalizar o que sentia, tanto seu prazer,
como sua indignação por achar tão difícil prosseguir
sobre aquelas linhas do papel – como expressar sua admiração?!
Então descobriu que haveria de contemplar
De longe achou que poderia inspirar-se pela liberdade das palavras
E assim forçou no papel sua inspiração,
Impulsionado por todo aquele sentir
que tanto hesitava em se tornar palavra,
escrita, toque, história, texto, poesia...
Ainda está na expectativa...
O dia do encontro está por chegar, e eis que o lápis
há de tocar com doces palavras a folha de papel, que também,
calada, em branco, o aguarda...
A timidez fez com que o lápis,
que pousara outras vezes sobre esta folha de papel,
hesitasse
Agia conforme sua falta de palavras para se expressar
Não sabia como fazer tangível o que agora só lhe restava esperar
Enfim, o prazo de validade
A eternidade que podia vir de todos os momentos inusitados,
parecia-lhe exaustivo
Acreditava que assim tudo perderia o seu encanto...
Mas desapercebido,
deixou de revelar a si sua falta de imaginação,
sua limitação diante das palavras que se renovam eternamente
Limitado, tímido, mas ousado
Havia de externalizar o que sentia, tanto seu prazer,
como sua indignação por achar tão difícil prosseguir
sobre aquelas linhas do papel – como expressar sua admiração?!
Então descobriu que haveria de contemplar
De longe achou que poderia inspirar-se pela liberdade das palavras
E assim forçou no papel sua inspiração,
Impulsionado por todo aquele sentir
que tanto hesitava em se tornar palavra,
escrita, toque, história, texto, poesia...
Ainda está na expectativa...
O dia do encontro está por chegar, e eis que o lápis
há de tocar com doces palavras a folha de papel, que também,
calada, em branco, o aguarda...
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Fim de Ano: partidas e chegadas
Descobri que não vamos até estações rodoviárias, ferroviárias ou aeroportos, mas sim, carregamos em nós esses momentos de despedidas e reencontros. Não que imagine um trem saindo de uma orelha a outra, ou um avião pousando sobre nossas cabeças, mas simplesmente percebi que não tenho mais medo de perder as pessoas, pois somos constantemente uma plataforma de chegada ou partida de amigos, familiares, colegas, amantes... Como se a cada nova passagem vendida – a cada momento que nos dispomos a conhecer e nos relacionar –, mais ricos nos tornamos. Aprendemos a ouvir ou a discutir e muito discordar de novas idéias; ou receber tudo com uma curiosidade enorme, e até mesmo rir de coisas simples; e, quando não, deixamos nos sentir coagidos, aceitando os empurrões e críticas que nem sempre são para nós, mas apenas são uma forma de desabafo.
Às vezes as lágrimas não podem ser contidas, assim como o desanimo ou uma boa gargalhada tornam-se expressões incontroláveis por nós de nossos sentimentos. Do momento de interesse, da espera do passageiro – seja para chegar ou partir –, tudo parece somar-se a esse instante de expectativas: ou achar que tudo foi uma perda de tempo, sentir raiva e não ver a hora de recomeçar; ou poder ter o desejo do renovo sabendo que o que viveu foi único, foi a Vida que te abraçou e lhe concedeu oportunidades, sejam elas de mudar completamente o que você acredita (deixar-se levar), ou pelo contraste afirmar com veemência aquilo que não deseja mais.
Anima-me recompor todo o meu ano e relembrar as pessoas que de passagem conheci. Algumas foram presentes por um período longo, quase que durante todo o ano. Outras, no tempo de uma dança. E o melhor de tudo isso é saber que de forma não premeditada posso simplesmente me cruzar de novo com uma amiga que agora vai morar longe; com alguém que com choro me despedi, mas agora posso revê-lo sem mágoas; e tantos outros, que só de pensar me dá vontade de simplesmente agradecer essa tal Vida. Além de tudo, na contagem regressiva dos meses para a virada do ano, eis que surgem outras novidades que por enquanto não quero que se apressem em partir, se também desejarem, passem um pouco mais de tempo nessa estação – pois liberdade é concedida àquele que compra a sua passagem e para aquele que a vende –, e assim trocamos mais algumas figurinhas na espera do trem.
Por fim, a todos boas festas e que possam conhecer muitas pessoas com a liberdade de ir e vir, de deixar chegar e partir. Assim, permitir-se viver e se conhecer.
Coisas que gostaria que algumas pessoas me escutassem, mas como sei que nem sempre estarão dispostas a isso, deixo por escrito na esperança de que um dia possam ler.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Apenas um comentário...
Estou para o deixar a um bom tempo, mas sempre acabo me esquecendo, até porque a maioria dos textos aqui são feitos no "calor do momento": pensei um A, e já quero colocar logo pra fora todas as palavras. O pior é que pelo que tenho colocado tem sido, em alguns casos, um grande repeteco, entre o que quero e o que posso, entre o poder e a proibição. E nesse sentido, o proibitivo ganha o pseudônimo de "mundo", e o eu fica sendo o meu apelido às minhas vontades. Porém, o que seria esse "mundo"? Muito incerto, como diria o meu amigo Lukinhas: “é tudo e nada ao mesmo tempo”! Enfim, tentando caracterizá-lo (esse tal de mundo) da melhor forma - e conversando com o sr Renato - penso que esse tal de "mundo" seja não mais do que eu mesma! Hmm? Sim, um eu que muitos constroem (como eu) contrário ao daqueles dos desejos, dado por uma "condição histórica" (a educação, o reconhecimento da vida, os valores, e sei lá mais o quê) que impõe certos limites, medos... E fico, ou ficamos, assim, a internalizá-lo, a nunca estigmatizá-lo, ou melhor, como a Camilinha aprendeu com o seu terapeuta: a brincar com a imagem do medo, fazer distorções, fazer o que vc bem entender com ela. Ou seja, assumir que vc é quem projeta seus medos, seu "mundo", sua proibição, etc.
Bem, esse foi apenas um primeiro comentário de um possível reconhecimento e reorganização...
Estou para o deixar a um bom tempo, mas sempre acabo me esquecendo, até porque a maioria dos textos aqui são feitos no "calor do momento": pensei um A, e já quero colocar logo pra fora todas as palavras. O pior é que pelo que tenho colocado tem sido, em alguns casos, um grande repeteco, entre o que quero e o que posso, entre o poder e a proibição. E nesse sentido, o proibitivo ganha o pseudônimo de "mundo", e o eu fica sendo o meu apelido às minhas vontades. Porém, o que seria esse "mundo"? Muito incerto, como diria o meu amigo Lukinhas: “é tudo e nada ao mesmo tempo”! Enfim, tentando caracterizá-lo (esse tal de mundo) da melhor forma - e conversando com o sr Renato - penso que esse tal de "mundo" seja não mais do que eu mesma! Hmm? Sim, um eu que muitos constroem (como eu) contrário ao daqueles dos desejos, dado por uma "condição histórica" (a educação, o reconhecimento da vida, os valores, e sei lá mais o quê) que impõe certos limites, medos... E fico, ou ficamos, assim, a internalizá-lo, a nunca estigmatizá-lo, ou melhor, como a Camilinha aprendeu com o seu terapeuta: a brincar com a imagem do medo, fazer distorções, fazer o que vc bem entender com ela. Ou seja, assumir que vc é quem projeta seus medos, seu "mundo", sua proibição, etc.
Bem, esse foi apenas um primeiro comentário de um possível reconhecimento e reorganização...
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Desse modo
Entre minha imagem e preservação social e emocional, posso lhe negar todos os convites, e mesmo um “Bom dia”. No entanto, como mulher, como alguém que posso acreditar ser sentimental e preocupada com o próximo, eis que gostaria de lhe responder positivamente a todos os convites, superar, até mesmo, a minha timidez e lhe fazer tantos outros mais. Essa situação só me deixa incerta, insegura, ansiosa, instável, individualista, julgadora e até corrupta. Altero-me, assim, facilmente, intoxico-me e vendo facilmente para o futuro o que mais gostaria de estar fazendo agora: dando lhe um “abraço”, o qual só imagino onde e como seria (se agora, com hálito de bolacha, chocolate e chicletes de menta), pois sei que o mundo, ao mesmo tempo que insiste para sermos proativos, exige-nos que não sejamos loucos ou extrovertido de mais, porque isso pode ser ousadia demasiada, que, por fim, talvez nos custe muito caro. Desse modo, deveria buscar o equilíbrio, mas as minhas recusas só me levam a pesar ainda mais as circunstância do que agora me permito revelar por palavras; ao passo que poderia (preferiria) declarar pessoalmente, de corpo presente. Bastava eu ter esse tal do equilíbrio, certeza do que quero e não quero, estável, assim, sem nenhuma tensão e pressão de tudo e todos. Ah... Se fosse assim, tenha certeza que poderia facilmente insistir, não lhe deixaria pensativo, e se eu tivesse algo para desconfiar ou temer, passaria por cima, porque o que me bastaria é simplesmente um momento: livre para não pensar, só sentir...
sábado, 26 de setembro de 2009
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